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RPG de Mesa 101: Um guia para iniciantes – Por onde começar

Os jogos online do tipo RPG fazem o maior sucesso há um tempão; lá por 2006, nem sei dizer quantas vezes foi muito bom para a minha vida social e terrível para as minhas noites de introversão aquelas vezes em que a internet caía bem no meio de uma Dungeon em World of Warcraft – e como eu despertava a fúria dos meus companheiros de guilda por perderem o healer deles bem no momento mais tenso da batalha.



Frustrações à parte, o gênero RPG sempre foi meu tipo favorito de jogo. Sempre me atraiu a ideia de poder criar um personagem totalmente personalizado, escolhendo seguir por uma história específica dentre uma infinidade de possibilidades de lugares para ir, quests para completar e outros personagens igualmente personalizados para interagir – é aquela vibe de imersão total em outra realidade.

Mas muito antes dos gráficos bacanas e dos servidores para jogos de online multiplayer, surgiu o jogo que moldou toda uma geração e criou de fato a mecânica de Role Playing Game (a livre tradução; “jogo de interpretação”); era 1974 em Winsconsin (EUA), e Gary Gygax lança Dungeons & Dragons, o primeiro RPG de mesa.

stranger things rpg de mesa

A partir daí, essa modalidade de RPG foi uma febre entre geeks e nerds, e apesar de hoje ser um pouco ofuscado por seus sucessores de alta tecnologia computacional, ainda possuem aquele charme old school de sentar com os amigos em uma mesa redonda, com salgadinhos, bebidas, um punhado de dados e muita empolgação para entrar de cabeça na aventura da vez.

Esse post é justamente para quem quer dar uma desligada no notebook, reunir com os amigos, deixar o Banco Imobiliário lá na estante mesmo e curtir um tipo de jogo novo e um tantinho mais complexo. Para você que nunca jogou um RPG de mesa, não sabe por onde começar, mas a empolgação e a vontade não faltam, continua comigo nos próximos parágrafos! ;D

 

Mas afinal, o que é um RPG de mesa?!

Dungeons & Dragons pode ter sido o RPG que originou todos os outros, mas depois de uns 40 anos do seu lançamento, a galera tomou uma liberdade enorme com o funcionamento original, criando um número enorme de formas diferentes de jogar um RPG de mesa, de forma que a única coisa que todos os RPGs de mesa têm em comum é a característica de ser uma aventura imaginada por um grupo de pessoas.

Como Começar

Tradicionalmente, antes do jogo começar você precisa designar um Mestre, que é basicamente a pessoa responsável por controlar tudo que rola “por trás das cortinas”. Vamos colocar dessa forma; se o RPG de mesa fosse um livro, o Mestre teria o papel de narrador. Ele é responsável por saber o caminho que os heróis e vilões irão percorrer, tomando o cuidado de seguir as regras do jogo e mantendo aquele jogo de cintura básico para deixar a história flexível, possibilitando assim que os outros jogadores (ou, voltando à comparação do livro: os personagens) interajam e tomem suas decisões de como agir.

Você vai precisar de:

Alguns amigos: Eu recomendaria entre 4 e 6 jogadores, para manter a sessão bem dinâmica e diversificada, mas sem criar confusão sobre quem está fazendo o que; você precisa ter imaginação para visualizar na tua cabeça o cenário em que se encontra, e decorar o que cada um dos 10 jogadores da partida está fazendo acaba sendo um pé no s* só trabalho sem a diversão.

all work and no play makes Jack a dull boy gif

Um livro de regras do RPG à sua escolha: O livro de regras é a primeira coisa a ser escolhida na hora de decidir por onde começar um jogo de RPG, pois é ele que define o universo em que você vai entrar, com suas regras (dãã) e mecânicas particulares. Além disso, o livro serve para orientar as consequências das ações dos jogadores, com o objetivo de balancear tudo direitinho. A única pessoa que deve (não obrigatoriamente) ler o livro de cabo a rabo antes de marcar a partida de RPG é o Mestre, pois é em cima dessa leitura que o jogo vai se formar.

Uma campanha: também chamada de “aventura”, a campanha é basicamente a missão a ser cumprida. Os jogos de RPG costumam lançar campanhas de tempos em tempos, mas um Mestre experiente pode criar a sua própria.

Dados: cada RPG tem suas regras quanto aos dados que serão utilizados, mas pra não ter erro, é bacana que cada jogador tenha à mão seu próprio kit com 7 dados (com 4, 6, 8, 10, 12 e 20 lados, e o dado de porcentagem).

Fichas de Personagens: Cada jogador precisa de uma ficha para poder definir a história e atributos do seu próprio personagem, e você geralmente vai encontrar essa ficha dentro do livro de regras do teu RPG. Aí é só imprimir várias cópias e distribuir para os amiguinhos. 🙂

Papel e caneta: Para ir marcando informações necessárias que surgirão no decorrer da partida.

Opcional:

Miniaturas: Melhor que ser um anão beberrão é TER uma miniatura de anão beberrão circulando com toda a sua monstruosidade pelo mapa que o Mestre criou.

miniatura dragão RPG de mesa

Uma playlist épica bacanuda: você pode criar a tua própria ou selecionar uma pronta no YouTube, ou em aplicativos como o Deezer ou Spotify. Pra inspirar, fica aqui de sugestão a minha playlist para uma campanha viking. 😀

Fantasias: Porque qual é a graça de ficar esperando o halloween, quando você pode colocar aquela capa bonitona de mago guardada no teu armário agora mesmo? Aproveita e tira aquela espada item de colecionador da tua estante e leva pra dar uma voltinha. Tudo pra incrementar ainda mais a experiência do jogo de RPG; e vamos combinar — não tem como ficar mais imersivo que isso.

Salgadinhos e bebidas: Não é uma festa na taverna se não tiver o que beber e comer! Até porque uma campanha de RPG pode levar várias horas de vários dias para acabar, portanto o combustível é necessário. ;D

assustado

Espero que esse post tenha servido como uma introdução bem explicativa para quem tem pelo menos o mínimo interesse em saber qualé quié desse tal de RPG de mesa. Esse post inaugura agora a série do “RPG de mesa 101”, trazendo conteúdo informativo para quem quer saber por onde começar a brincar.

E você aí? Tem pitacos para dar sobre esse post? Acrescentaria alguma informação? Tem alguma dúvida ou sugestão do que quer ler nos próximos posts? Então deixa teu comentário que eu tou querendo saber! 😉

Acesse o próximo post da série clicando aqui.

Sobre o autor

Steph

26 anos, rpgista, viciada em Netflix, com um amor declarado por batata frita e um sonho de possuir todos os jogos de tabuleiro do mundo.

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